Como lidar com a ansiedade no dia a dia
A ansiedade é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de psicologia. Segundo dados da OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de transtornos ansiosos no mundo — e os números crescem a cada ano, impulsionados pela pressão do trabalho, pelas redes sociais e pela incerteza constante do cotidiano.
Mas o que é, de fato, a ansiedade? E por que simplesmente tentar "se acalmar" muitas vezes não resolve?
O que a psicanálise diz sobre a ansiedade
Na perspectiva psicanalítica, a ansiedade não é um simples "descontrole emocional". Freud a descreveu como um sinal — um alerta que o psiquismo emite diante de algo que ele percebe como ameaça. Essa ameaça pode ser externa (um prazo no trabalho, um conflito familiar) ou interna (um desejo que não pode ser admitido conscientemente, um luto não elaborado, um conflito moral não resolvido).
Entender isso muda tudo. A ansiedade deixa de ser um inimigo a ser combatido e passa a ser um mensageiro — algo que pede atenção, escuta e cuidado.
"A ansiedade não é o problema em si. Ela é o sinal de que há algo, dentro de nós, que ainda não foi ouvido."
Por que "controlar" a ansiedade nem sempre funciona
A resposta instintiva diante da ansiedade é tentar eliminá-la o mais rápido possível: respirar fundo, se distrair, tomar um remédio, mergulhar no trabalho. Essas estratégias podem trazer alívio pontual — e são válidas em determinados momentos. Mas frequentemente não chegam à raiz do problema.
É como tampar um vazamento sem descobrir de onde vem a água. O alívio é temporário; a pressão se acumula — e volta, muitas vezes com mais intensidade.
Quando a ansiedade se torna crônica, ela costuma estar vinculada a conteúdos que o sujeito não conseguiu ainda elaborar: perdas, medos, conflitos relacionais, exigências internas excessivas. Nesse caso, o caminho não é a supressão, mas a elaboração.
O que realmente ajuda
Não existe fórmula universal. Cada pessoa carrega uma história singular, e o que funciona para uma pode não funcionar para outra. Mas algumas práticas têm se mostrado consistentemente úteis como suporte:
- Escuta de si mesmo: Em vez de fugir do desconforto, pausar e perguntar: "O que estou sentindo agora? De onde isso pode vir?" Essa simples pergunta, feita com honestidade, já é um ato terapêutico.
- Rotinas que sustentam: Sono regular, alimentação cuidada e movimento corporal não resolvem a ansiedade, mas criam um chão mais firme para trabalhar nela. O corpo e a mente não são separados.
- Limites com o excesso de informação: Notificações, redes sociais e notícias em tempo real alimentam um estado de alerta contínuo. Estabelecer pausas intencionais é um ato de saúde.
- Vínculo terapêutico: A psicoterapia e a psicanálise oferecem um espaço onde os conteúdos ansiosos podem emergir, ser nomeados e, aos poucos, elaborados — sem julgamentos, no próprio ritmo de cada um.
Quando buscar ajuda profissional
Se a ansiedade está interferindo no seu sono, nos seus relacionamentos, na sua capacidade de trabalhar ou de sentir prazer nas coisas simples da vida — é hora de buscar apoio. Isso não é fraqueza. É cuidado. É reconhecer que algumas questões pedem um espaço especializado para serem trabalhadas.
A psicoterapia não promete eliminar a ansiedade para sempre. Promete algo mais profundo: ajudá-lo a compreender o que ela está tentando dizer — e a responder a esse chamado com mais consciência e menos sofrimento.
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